Abordagem de Blebites: Questionário Nacional e Revisão da Literatura
DOI:
https://doi.org/10.48560/rspo.44956Palavras-chave:
Complicações Pós-Operatórias, Glaucoma/cirurgia, Infecções Oculares Bacterianas/etiologia, Infecções Oculares Bacterianas/tratamento farmacológico, Trabeculectomia/efeitos adversosResumo
INTRODUÇÃO: As cirurgias filtrantes mantêm-se como um dos pilares fundamentais no tratamento do glaucoma. Embora rara, a bíebite representa uma complicação potencialmente grave, capaz de comprometer tanto o sucesso cirúrgico como o prognóstico visual, caso não seja reconhecida e tratada precocemente. As estratégias de tratamento variam amplamente e não existem, até ao momento, recomendações formais que orientem a terapêutica. Neste contexto, o presente estudo combina uma breve revisão da literatura com um inquérito nacional, com o objetivo de fornecer uma atualização sobre a bíebite e avaliar as tendências atuais na sua abordagem entre especialistas de glaucoma em Portugal.
MÉTODOS: Um questionário online anónimo foi enviado aos especialistas de glaucoma em Portugal. O questionário, composto por 12 questões, abordou a necessidade de internamento, colheita para análise microbiológica, utilização de antibióticos tópicos e sistémicos, prescrição de corticoterapia e cicloplegia, e critérios para abordar estes casos como endoftalmites. As respostas foram analisadas para identificar padrões de prática clínica e heterogeneidade nas abordagens terapêuticas. Paralelamente, foi realizada uma revisão narrativa da literatura para resumir a evidência atual relativa à incidência, fatores de risco e estratégias de tratamento da bíebite.
RESULTADOS: Foram obtidas 33 respostas. Apenas 15,2% dos especialistas optam por internar doentes com bíebite isolada. Todos iniciam antibioterapia tópica, sendo que 72,7% preferem colírios fortificados de ceftazidima e vancomicina. Uma minoria utilizou vias adicionais de administração de antibiótico: intravítrea em 12,1% dos inquiridos, subconjuntival em 9,1% e endovenosa em 6,1%. A maioria opta pela prescrição de cicloplégicos (75,8%) e corticosteroides tópicos (90,9%), embora apenas 16,7% os iniciem no momento do diagnóstico. Entre os inquiridos, 39,4% optam por abordar como endoftalmite apenas na presença de envolvimento vítreo.
CONCLUSÃO: Esta revisão da literatura e o questionário nacional realizado evidenciam uma variabilidade significativa na abordagem da bíebite entre especialistas, refletindo a ausência de orientações terapêuticas padronizadas. Os resultados reforçam a necessidade de desenvolver recomendações baseadas em consensos que permitam harmonizar as estratégias de tratamento, melhorar a segurança dos doentes e otimizar os resultados visuais nesta complicação rara, mas potencialmente ameaçadora da visão.
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