Espaços Educacionais para os Cegos: o Asilo-Escola António Feliciano de Castilho (1888-1996)
DOI:
https://doi.org/10.21814/rpe.41273Palavras-chave:
Educação de cegos, Arquitetura escolar, Materialidade, Biografias, Espaço vivido.Resumo
Seguindo o exemplo de diversos países da Europa e América no final do século XVIII e século XIX, Portugal teve a sua primeira escola para alunos cegos em 1888. O internato Asilo-Escola António Feliciano de Castilho foi um projecto pedagógico fundado pela Associação Promotora para o Ensino dos Cegos que resultou num edifício escolar deveras interessante, com uma personalidade única. Baseados nas plantas originais, relatórios institucionais, entrevistas e fotografias, pretendemos dar ênfase ao espaço vivido, que definiu esta escola sobre o espaço planeado, assim como à sua contribuição para o conceito de “black box of schooling” e para a história da educação de alunos cegos. A coleção de fontes possibilitou-nos um ponto de vista interno e externo da sala de aula, suportado pelos relatos na primeira pessoa e na análise da materialidade especializada. Analisámos a planta original de 1910, as grandes remodelações ocorridas em 1969/1970, e apresentámos as vivências espaciais e suas problemáticas à luz dos temas da cegueira e da educação. Não é possível compreender a evolução histórica da dimensão espacial da instituição em separado da ação que nela decorreu. Assim, a experiência da arquitectura é dinâmica no tempo e no espaço. Concluímos o nosso escrito propondo novas linhas de pesquisa que possibilitem a exploração dinâmica entre espaço, pedagogia e sujeitos.
Downloads
Referências
Amado, M. do C. T. M. R. da C. (2007). Escritos em branco: Rupturas da ciência e da pedagogia no Portugal oitocentista: O ensino para cegos no Asilo-escola António Feliciano de Castilho (1888–1930) [Dissertação de mestrado, Universidade de Lisboa]. https://repositorio.ulisboa.pt/entities/publication/4479a794-5a72-4d43-94ca-7591f28391ab
Bachelard, Gaston (1970). La poétique de l’espace. Presses Universitaires de France.
Bergen, A. (2007). A Philosophical Experiment. The Wilberforce Memorial School for the Blind. 1833-1870. European Review of History, 14(2), 147-164. https://doi.org/10.1080/13507480701433182
Berti, M., Simpson, A. V., & Clegg, S. R. (2018). Making a place out of space: The social imaginaries and realities of a Business School as a designed space. Management Learning, 49(2), 168-186. https://doi.org/10.1177/1350507617737453
Braster, S., Grosvenor, I. & Pozo Andrés, María del Mar (Eds.). (2011). The Black Box of Schooling. A Cultural History of the Classroom. Peter Lang.
Burke, C. (2019). Stories of Schools. Towards a Pedagogy of Place. In A. Alegre, & T. Heitor. (Eds.). Arquitetura Escolar em Portugal: educação, património e desafio (pp. 29-38). Instituto Superior Técnico.
Clark, A. (2010). ‘In‐between’ spaces in postwar primary schools: a micro‐study of a ‘welfare room’ (1977–1993). History of Education, 39(6), 767-778. https://doi.org/10.1080/0046760X.2010.514297
Cuban, L. (1993). How Teachers Taught. Constancy and Change in American Classrooms 1890-1990. Columbia University.
Gadrat, S. (2019). Architecture et Cécité – Exploration Littéraire et Multisensorielle. Canadian Journal of Disability Studies, 8(6), 131-150. https://doi.org/10.15353/cjds.v8i6.583
Herman, F. & Tondeur, J. (2021). Untangling the sociomateriality of the classroom: biographies of school spaces (c. 1960-2014). Oxford Review of Education, 47(5). https://doi.org/10.1080/03054985.2021.1924654
Herman, F., Van Gorp, A., Simon, F., & Depaepe, M. (2011). The Organic Growth of the Decroly School in Brussels, From Villa to School, from Living Room to Classroom. In S. Braster, I. Grosvenor, & M. del M. Pozo Andrés (Eds.), The Black Box of Schooling (241-259). Peter Lang.
Kraftl, P., McKenzie, M., & Gulson, K. (2022). Learning spaces: built, natural and digital considerations for learning and learners. In A.K. Duraiappha, N.M. Van Atteveldt, G. Borst, S. Bugden, O. Ergas, T. Gilead, L. Gupta, J. Mercier, K. Pugh, Singh N.C., Vickers E. A. (Eds.), Education and the Learning Experience in Reimagining Education: the international Science and Evidence Based Education Assessment (pp. 452-547). UNESCO MGIEP.
Lacomba Montes, P. & Campos Uribe, A. (2018). Mary and David Medd’s schools, the dissolution of the classroom: Architecture for Education. In J. Sánchez Merina (Ed.), EURAU18 Alicante: Retroactive research: Congress Proceedings (pp. 11-18). Editorial de la Universidad de Alicante.
Istituto dei Ciechi di Milano. (2003). Luce su Luce. L’impegno della solidarietà dalla carità alla scienza.
Markus, T. (1993). Buildings & Power. Freedom & Control in the Origin of Modern Building Types. Routledge.
Nielsen, K. (2012). A Disability History of the United States. Beacon Press.
Park, S.-Y. (2020). From Outcast to Citizen: Disability, Education, and Architecture in Postrevolutionary Paris. Journal of the Society of Architectural Historians, 79(2), 171-191. https://doi.org/10.1525/jsah.2020.79.2.171
Moure Pazos, I. (2011). El Proyecto de Ricardo Vélazquez Bosco para Santiago de Compostela: La Escuela de Sordomudos y Ciegos (1905-1925). Ars Longa: cuadernos de arte, 20, 173-182.
Picon, A. (2020). Architecture, Materiality, and Politics: Sensations, Symbols, Situations, and Decors. In D. Bell & B. Zacka (Eds.). Political Theory and Architecture (277-294). Bloomsbury Academic.
Rasmussen, L. R. (2010). Material and Affective Movements. Danish Pupils Reminiscences, 1945-2008. In A. Larson, B. Norlin (Eds.), Beyond the Classroom. Studies on Pupils and Informal Schooling Processes in Modern Europe (183-205). Peter Lang.
Rasmussen, L. R. (2012). Touching Materiality: Presenting the Past od Everyday School Life. Memory Studies, 5(2), 114-130.
Silva, C. M. (2022). Visão idílica e romântica de escola em António Feliciano de Castilho. RomantHis – Revista de História do Romantismo, 1, 172-182.
Silva, C. M. (2008). Do Modo de Aprender e de Ensinar. Renovação Pedagógica e Cenários de Experimentação da Escola Graduada (1834-1892). [Tese de Doutoramento. Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa]. https://repositorio.ulisboa.pt/entities/publication/b2ddc841-b313-4a7e-b020-2f614ae81b12
Smith, S. E. (2020). The beauty of spaces created by and for disabled people. In A. Wong (Eds.). Disability Visibility. First-Person Stories from the Twenty-First Century. Vintage Books.
Tondeur, J., Herman, F., De Buck, M. & Triquet, K. (2017). Classroom biographies: teaching and learning in evolving material landscapes (c. 1960-2015). European Journal of Education, 52(3), 280-294. https://doi.org/10.1111/ejed.12228
Tuan, Y. F. (1977). Space and Place: The Perspective of Experience. University of Minnesota Press.
Viñao, A. (2004). Espacios escolares, funciones y tareas: la ubicación de la dirección in la escuela graduada. Revista Española de Pedagogía, 62(228), 279-304. https://doi.org/10.22550/2174-0909.2318
Wickman, K., & Kristofferson, M. (2018). Special Education in Sweden. In R. Hanes, I. Brown, & N. Hansen. The Routledge History of Disability (pp. 320-338). Routledge.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Secção
Licença
Direitos de Autor (c) 2026 Maria Romeiras Amado, Carlos Manique da Silva

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição-CompartilhaIgual 4.0.
1. Autores conservam os direitos de autor e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution 4.0 CC-BY-SA que permite a partilha do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista;
2. Autores e autoras têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: depositar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista;
3. Autores e autoras têm permissão e são estimulado/as a publicar e distribuir o seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal), já que isso pode aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons - Atribuição Compartilhamento pela mesma Licença Internacional 4.0















