Uma certa perspectiva da palavra na cena contemporânea

Autores

  • Antonio Guedes

Resumo

Tomando como ponto de partida as reflexões de Antonin Artaud sobre a linguagem, tentarei tornar evidente a ruptura que ele propõe no que diz respeito à estrutura narrativa tradicional. Invertendo a velha concepção da arte como uma cópia do mundo, partiremos da hipótese de uma linguagem cuja força expressiva é tão forte que vai para além da simples descrição de factos ou ideias. Considerando a obra como uma criação autónoma que não envia para nada fora de si, procurarei compreender a palavra como um poder de estabelecimento, como um gesto artístico, como uma acção. No teatro contemporâneo, a linguagem exige que a compreendamos não como um instrumento de comunicação, mas como uma força de estabelecimento. Ao rejeitar o debate sobre as formas narrativas, este ensaio afirma que, para além do jogo entre forma e conteúdo, o teatro está exclusivamente preocupado com a realização de uma experiência entre o palco e o público. Esta questão será tematizada com base na minha encenação de textos de Koltès, Beckett e, em particular, na estrutura narrativa das obras de Valère Novarina, a fim de compreender, na dramaturgia contemporânea, até que ponto o tema é esvaziado, a fim de favorecer a emergência da própria linguagem como uma questão de construção e do homem e do mundo.

 

TEATRO / COMUNICAÇÃO / LÍNGUA / NOVARINA / ARTAUD

Publicado

2017-05-15

Como Citar

Guedes, A. (2017). Uma certa perspectiva da palavra na cena contemporânea. Sinais De Cena, (2), 133–149. Obtido de https://revistas.rcaap.pt/sdc/article/view/17145

Edição

Secção

Estudos aplicados