Realizar, repetir, reagir: crítica de desempenho e racionalidades políticas contemporâneas

Autores

  • Diana Damian Martin Royal Central School of Speech and Drama

Resumo

Michael Gove, um dos principais rostos da campanha Vote Leave (do referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia), disse recentemente que «as pessoas, neste país, estão fartas de especialistas». Segundo o jornalista Henry Mance, num artigo para o Financial Times, a incapacidade de Gove demonstrar, economicamente, o seu argumento de que o Reino Unido enviava semanalmente 350 milhões de libras para a União Europeia era a prova de que as políticas de «pós‑verdade» já tinham penetrado no Reino Unido. A expressão «políticas de pós‑verdade» assenta numa era contemporânea em que a fraude é moeda de troca transparente e poderosa, a nível tanto fiscal como político; expõe a pre‑ cariedade do sentido, em que as estruturas que legitimam e que, por vezes, legis‑ lam os factos e sua circulação se tornaram fluidas. As políticas de «pós‑verdade» evidenciam também um paradoxo: por um lado, a necessidade crescente de recorrer a especialistas, a sustentações intelectuais, ao envolvimento crítico e político que permitam que a diferenciação ocorra para e com o público; por outro, o cepticismo face à singularidade e autonomia desses especialistas, temendo‑se a sua corrupção, amarrada a formas de subjectividade em que as fronteiras entre o público e o privado, entre os factos e a ficção se tornam difí‑ ceis de discernir.

 

PÓS­‑VERDADE / PERFORMANCE / CRÍTICA POLÍTICA / ESFERA PÚBLICA / CRÍTICA DE ARTES PERFORMATIVAS

Downloads

Publicado

2019-03-19

Como Citar

Martin, D. D. (2019). Realizar, repetir, reagir: crítica de desempenho e racionalidades políticas contemporâneas. Sinais De Cena, (3), 24–39. Obtido de https://revistas.rcaap.pt/sdc/article/view/17487

Edição

Secção

Dossiê temático