2022 | Artigo do ano

A​ Finisterra felicita os/as vencedores/as do Pr​é​mio Melhor Artigo de 2022.

Os/as vencedores/as são determinados por votação de uma Comissão nomeada para o efeito. Os manuscritos publicados na Finisterra são avaliados pela clareza da escrita e conteúdo, organização, gráficos, contribuição para o conhecimento, etc.

​No dia 19 de outubro de 2023, após a Conferência Anual de Finisterra com Jean-Paul Rodrigue, o Presidente do juri, Nuno Marques da Costa, apresentou os/as vencedores/as do Artigo do Ano 2022 e duas menções honrosas.

O Artigo do Ano da Finisterra, destinado a premiar o melhor artigo publicado na revista em 2021, foi atribuído a:

Pedro Franco, Eduarda Marques da Costa. Regional disparities in health services provision in the European Union. When territory matters. Finisterra – Revista Portuguesa de Geografia, LVII(120), 45-71.

Services of general interest (SGI) contribute to the European Union’s objectives, being fundamental to territorial cohesion and convergence, with a preeminent role in rural and peripheral territories. Hence, disparities in access to these services lead to critical regional disparities, impairing cohesion. It is in economic harsh times that SGI are preponderant, especially in more rural or peripheral regions and health services are one of the most impactful SGI, being an iconic representative of the Welfare State. Therefore, an assessment of regional health services must be developed in relation to Welfare State Regimes performance. This article is developed within this framework, with the objectives of understanding: how national and local expenditures in health are related to Welfare State Regimes; and how their expenses impact territorial cohesion through differentiated regional health service provision and population health status. The work was developed in two phases: one centred on the assessment of total and health expenditures made by national and local governments, discussed in the framework of distinct Welfare Regimes; another, that analyses regional health service provision and population health status, in their relationship with regional socio-economic characteristics and the framework of Welfare Regimes. Indicators regarding health expenditures countries’ efforts, health status, and services at a regional scale were retrieved from Eurostat. Results confirm that the provision of services and health status differ among Welfare Regimes and territorial typologies. Urban regions showed better results than rural ones, with the Welfare Regime precluding this reality. We conclude that regional health disparities are a concerning factor that harms territorial cohesion.

 

Foram também atribuídas duas Menções Honrosas aos seguintes artigos:

João Pedro Ferreira, Catarina Isidoro, Frederico Moura e Sá, José Carlos Mota. O valor económico
da bicicleta à escala local: estimativa dos potenciais impactos ambientais, energéticos e na saúde em
Portugal. Finisterra – Revista Portuguesa de Geografia, LVII(119), 87-107.

 investigação sobre mobilidade urbana sustentável tem vindo a destacar o valor da bicicleta e os seus benefícios económicos, sociais e ambientais. No entanto, apesar do consenso quanto aos aspetos positivos, a mudança de paradigma que permita afirmar a bicicleta como meio de deslocação enfrenta desafios, principalmente em contextos onde é pouco utilizada. Em Portugal, segundo os Censos 2011, apenas 0,5% da população usa a bicicleta na sua mobilidade urbana diária. É neste contexto que o projeto BOOST desenvolveu um Roteiro para Cidades Principiantes que integra a estimativa do potencial valor económico da bicicleta, à escala local. Os resultados mostram que um aumento de cerca de 2% da quota modal da bicicleta em 10 anos, na globalidade dos municípios portugueses, pode corresponder à reduções de custos anuais superiores a 1,1 milhões de euros nas emissões de CO2, a quase 25 milhões de euros no consumo de combustível e a 500 mil euros na qualidade do ar. Quanto aos benefícios na saúde, a redução da mortalidade associada à atividade física e à redução da poluição atmosférica representam um impacto económico positivo potencial superior a 140 milhões de euros em 10 anos para Portugal. Neste sentido, é possível concluir que padrões de deslocação mais sustentáveis e em que a bicicleta assuma uma posição de maior relevância terá um impacto económico substancial, pelo menos ao nível da saúde, da energia e ambiente.

 

Margarida Fontes, Mariana Aguiar, Nuno Bento. Efeitos sectoriais e territoriais da experimentação em fases iniciais de inovações energéticas: lições de 20 anos de tecnologias renováveis marinhas em
Portugal. Finisterra – Revista Portuguesa de Geografia, LVII(121), 21-43.

A urgência climática e questões mais conjunturais como pandemias e guerras apontam para a
necessidade de acelerar a transição sustentável e, particularmente, o desenvolvimento e implementação de novas tecnologias de energias renováveis. Essa aceleração depende crucialmente da capacidade de mobilizar recursos e competências existentes no território. A passagem a uma fase comercial coloca desafios importantes, que podem ser enfrentados com base nas capacidades adquiridas na fase inicial de experimentação, cujos efeitos permanecem pouco estudados. Portugal tem uma experiência longa no desenvolvimento de tecnologias de energias renováveis marinhas – energia das ondas e energia eólica offshore flutuante. Importa agora compreender, através de uma análise longitudinal suportada na construção de uma base de dados dos atores envolvidos, se as atividades conduzidas ao longo da fase inicial de desenvolvimento permitiram começar a mobilizar a indústria nacional e gerar núcleos sectoriais e regionais de atividade que possam suportar uma evolução futura. As análises apontam para a importância dos projetos de teste e demonstração na mobilização de empresas de sectores relevantes, embora a capacidade para atrair empresas locais seja ainda limitada, e revelam redes de empresas distribuídas pelo território, com predominância das principais áreas metropolitanas. Estes resultados podem informar estratégias para acelerar a difusão destas tecnologias, contribuindo para a transformação industrial.

 

O Juri do Melhor Artigo do ano 2023 foi constituido por:

Patrícia Abrantes (CEG, IGOT, ULisboa, Portugal) (Presidente de Júri)
Ana Louro (CEG, IGOT, ULisboa, Portugal)
João Cabral (Faculdade de Arquitetura, ULisboa, Portugal)
José Carlos Teixeira (University of British Columbia, Canadá)
Maria Helena Esteves (CEG, IGOT, ULisboa, Portugal)
Raquel Melo (CEG, IGOT, ULisboa, Portugal)
Sérgio Oliveira (CEG, IGOT, ULisboa, Portugal)