Casamento precoce e forçado: experiências de mulheres migrantes e seu impacto multidimensional
DOI:
https://doi.org/10.29352/mill0221e.43283Palavras-chave:
casamento precoce; casamento forçado; direitos humanos; saúde da mulher; migraçãoResumo
Introdução: O casamento precoce e forçado (CPF) continua a ser uma prática tradicional nefasta que viola gravemente os direitos humanos de meninas e mulheres, perpetuando a desigualdade de género, a exclusão social e riscos sérios para a saúde física, mental e reprodutiva.
Objetivo: Compreender as experiências vividas por mulheres migrantes oriundas de países onde o CPF é prevalente, evidenciando o impacto multidimensional desta prática.
Métodos: Estudo qualitativo de natureza fenomenológica, sustentado na perspetiva de Max van Manen. Integrado no projeto europeu Intercultural Approach to Prevent Harmful Practices (IAPHP), com aprovação ética, incluiu entrevistas fenomenológicas a sete mulheres migrantes provenientes de contextos culturais onde o CPF persiste.
Resultados: Da análise emergiram três grandes temas: (i) dinâmicas culturais e sociais que sustentam o CPF; (ii) consequências físicas, psicológicas e sociais para as mulheres, incluindo gravidezes precoces e isolamento; e (iii) estratégias de resistência, proteção e procura de apoio. As participantes relataram coerção familiar, normalização da desigualdade de género e ausência de alternativas educativas ou económicas, expressando simultaneamente sentimentos de perda, sofrimento e subjugação.
Conclusão: O CPF constitui uma violação estrutural dos direitos humanos que compromete a autonomia feminina e perpetua ciclos de pobreza e vulnerabilidade. Este estudo reforça a necessidade de preparar os profissionais de saúde — em particular os enfermeiros — para intervenções culturalmente competentes, bem como de implementar políticas públicas eficazes que promovam educação, empoderamento feminino e proteção de meninas em risco.
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