Resultados Funcionais e Marcadores Prognósticos Após Trauma Ocular: Coorte de Nove Anos num Centro Terciário

Autores

DOI:

https://doi.org/10.48560/rspo.45412

Palavras-chave:

Eye Injuries, Prognosis, Visual Acuity

Resumo

INTRODUÇÃO: O nosso objetivo foi caracterizar o perfil clínico do trauma ocular ao longo de um período de nove anos num centro terciário português e identificar preditores independentes do resultado visual final.

MÉTODOS: Estudo observacional e retrospetivo com 216 olhos de 216 doentes admitidos por trauma ocular entre janeiro de 2015 e dezembro de 2023.

Os dados demográficos, clínicos e cirúrgicos foram recolhidos a partir do processo clínico eletrónico. As lesões foram classificadas de acordo com a Birmingham Eye Trauma Terminology (BETT). A acuidade visual final (AVF) foi categorizada como ≥20/40, 20/40–20/400 ou <20/400. Os desfechos adicionais incluíram ausência de perceção luminosa (NLP) e evisceração. As associações entre as variáveis clínicas e os desfechos foram avaliadas através de testes não paramétricos, análise de sobrevivência de Kaplan–Meier e regressão logística e ordinal multivariável.

RESULTADOS: As lesões de globo aberto foram predominantes, sobretudo traumatismos penetrantes e ruturas do globo. Uma AVF mais baixa associou-se à idade mais avançada (p=0,002), envolvimento do segmento posterior, zonas BETT mais posteriores (p<0,001) e mecanismos de globo aberto, particularmente ruturas e lesões perfurantes (p<0,001). O aumento da idade incrementou de forma independente em 3,4% por ano a probabilidade de pior AVF (OR 1,034; IC 95% 1,011–1,056; p=0,004), enquanto as lesões confinadas ao segmento anterior se associaram a melhores resultados visuais (OR 0,09; IC 95% 0,03–0,22; p<0,001). O envolvimento do segmento posterior foi o único preditor independente de NLP (OR ajustado 0,14; IC 95% 0,03–0,55; p=0,005) e evisceração (OR ajustado 0,07; IC 95% 0,01–0,74; p=0,027) na análise multivariável. O tempo até à cirurgia primária não se associou de forma significativa aos resultados visuais.

CONCLUSÃO: Nesta coorte de cuidados terciários ao longo de nove anos, a idade, o envolvimento do segmento posterior e os mecanismos graves de globo aberto constituíram marcadores prognósticos fundamentais de mau resultado visual após trauma ocular. As lesões limitadas ao segmento anterior conferiram um prognóstico marcadamente mais favorável, enquanto a extensão posterior foi o único preditor independente de NLP e evisceração. Estes resultados reforçam a importância dos fatores prognósticos estabelecidos e podem apoiar um aconselhamento mais realista dos doentes e das suas famílias após trauma ocular grave.

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Publicado

2026-09-27

Como Citar

Sampaio, A. M., Neves Cruz, C., & Sousa, K. (2026). Resultados Funcionais e Marcadores Prognósticos Após Trauma Ocular: Coorte de Nove Anos num Centro Terciário. Revista Sociedade Portuguesa De Oftalmologia, 50(3), 258–265. https://doi.org/10.48560/rspo.45412

Edição

Secção

Artigos Originais