Paródia e denúncia em O Encoberto de Natália Correia
DOI:
https://doi.org/10.51427/cet.sdc.2026.3.5.12Palavras-chave:
Natália Correia, O Encoberto, denúncia, paródia, democraciaResumo
A peça O Encoberto, de Natália Correia, foi escrita sob o jugo do regime fascista instituído pelo Estado Novo. Publicada em 1969, logo foi proibida pela censura que nela viu um atentado à moral e aos bons costumes, mas falhou aos censores o verdadeiro objetivo da dramaturga: interpelar a democracia através da paródia e da denúncia. No presente artigo, procurar-se-á demonstrar o impacto que a peça teve – e tem – no contexto histórico-cultural português do século XX. Para isso, analisar-se-á, por um lado, o modo como Natália Correia recorre à paródia de uma versão lendária acerca do aparecimento de D. Sebastião para denunciar a repressão a que está sujeita a sociedade sua contemporânea e, por outro lado, explicitar-se-ão os processos parodísticos de que a autora se serve para interpelar a democracia, não apenas num âmbito restrito, o nacional, mas numa dimensão universal.
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