Desigualdade de Gênero, Futebol e Educação Matemática Crítica

Elas Dentro e Fora das Quatro Linhas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.25749/sis.41389

Palavras-chave:

desigualdade de gênero, educação matemática crítica, futebol feminino, machismo, cibercultura

Resumo

No Brasil, a desigualdade de gênero, ocasionada entre outros fatores pelo machismo enraizado na sociedade brasileira, perpetua a violência e limita as oportunidades e direitos das mulheres. O objetivo geral desta pesquisa é analisar como a abordagem da Educação Matemática Crítica, aplicada ao ensino de conteúdos estatísticos, pode contribuir para a problematização da desigualdade de gênero no futebol feminino no Brasil, promovendo reflexões críticas entre estudantes do Ensino Básico. No que concerne à metodologia, temos uma Pesquisa-formação na Cibercultura, sendo proposta uma Sequência Didática interseccional com os cotidianos. As análises são baseadas no método de triangulação: (1) Análise documental; (2) Observação participante enquanto docente da escola (professora-pesquisadora); e (3) Discursos e registros dos alunos durante a experienciação das Sequências Didáticas. Entre as considerações possíveis, destacamos a necessidade de constituição de uma nova episteme que paute os currículos e os processos formativos, destacando ainda o papel crucial da educação na implementação/fortalecimento de uma educação antissexista. Durante as aulas, os alunos trouxeram reflexões que enriqueceram os debates, ampliando a conexão entre teoria e prática. Além disso, o conhecimento estatístico foi construído de maneira significativa.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografias Autor

Mariana Soriano, Colégio Técnico da UFRRJ, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Brasil

Doutoranda em Educação, Contextos Contemporâneos e Demandas Populares pelo PPGEduc/UFRRJ. Mestra em Educação em Ciências e Matemática pelo PPGEduCIMAT/UFRRJ. Graduada em Licenciatura em Matemática pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Técnica em Informática pelo CEO. Atua como Professora de Matemática no Colégio Técnico da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (CTUR). Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Etnociências e Etnomatemática da UFRRJ (GEtCiMat) e do Grupo de Pesquisa Docência e Cibercultura (GpDoC).

Edméa Santos, Departamento de Teoria e Planejamento de Ensino, Instituto de Educação, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Brasil

Professora Titular-Livre da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Atua no Instituto de Educação e no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEDUC).  Professora da disciplina Informática na Educação no curso de Pedagogia a Distância UERJ/CEDERJ. Bolsista Produtividade do Cnpq e Cientísta do Nosso Estado pela FAPERJ. Editora-chefe da Revista Docência e Cibercultura. Pedagoga pela UCSAL, mestre e doutora em Educação pela UFBA. Pós-doutora em e-learning e EAD pela UAB-PT, onde colabora esporadicamente no MPEL - Mestrado em Pedagogia do e-Learning . Líder do GPDOC - Grupo de Pesquisa Docência e Cibercultura. Membro do Laboratório de Imagem da UERJ.

Referências

Alves, J. E. D., & Cavenaghi, M. S. (2013). Indicadores de desigualdade de gênero no Brasil. Mediações - Revista de Ciências Sociais, 18(1), 83-105. https://doi.org/10.5433/2176-6665.2013v18n1p83

Applebaum, M. (2025). Fostering creative and critical thinking through math games: A case study of Bachet’s game. European Journal of Science and Mathematics Education, 13(1), 16-26. https://doi.org/10.30935/scimath/15825

Araujo, J. da S., & Pinheiro, J. M. L. (2021). História da Matemática em sala de aula: um olhar histórico para uma das plêiades da matemática. Boletim Cearense de Educação e História da Matemática, 8(23), 565-578. https://doi.org/10.30938/bocehm.v8i23.5120

Barreira, J., Mazzei, L. C., Castro, F., & Galat-Ti, L. R. (2020). O futebol de mulheres: uma análise das estratégias de desenvolvimento (in) existentes na América do Sul. In M. Z. Martins & I. Wenetz (Eds.), Futebol de mulheres no Brasil: desafios para as políticas públicas (pp. 29-44). CRV.

Bartell, T. G. E. (2012). Is This Teaching Mathematics for Social Justice? In A. A. Wager & D. W. Stinson (Eds.), Teaching Mathematics for Social Justice: Conversations with Mathematics Educators (pp. 113-125). NCTM, National Council of Mathematics Teachers.

Beauvouir, S. (2016 [1949]). O Segundo Sexo: fatos e mitos. (Volume 1, 3ª Edição). (Tradução Sérgio Milliet). Nova Fronteira.

Brasil. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). (2018). Educação é a Base. Brasília, MEC/CONSED/UNDIME, 2018. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=8512 1-bncc-ensino-medio&category_slug=abril-2018-pdf&Itemid=30192

Brasil. Ministério da Educação. (1996). LDB. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei n. 9.394/96. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm

Brasil. Ministério da Educação. (2024). Lei n. 14.986, de 25 de setembro de 2024. Dispõe sobre a inclusão da obrigatoriedade de abordagens fundamentadas nas experiências e nas perspectivas femininas nos conteúdos curriculares do ensino fundamental e médio. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 25 set. 2024.

Brasil. Ministério do Esporte. Secretaria Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor. (2023a). Diagnóstico Futebol Feminino Brasil. https://www.gov.br/esporte/pt-br/noticias-e-conteudos/esporte/futebol-feminino-ainda-e-predominantemente-amador-no-brasil/11deagostoltimaversoDIAGNSTICO1.pdf

Brasil. Ministério do Esporte. Secretaria Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor. (2023b). Estratégia Nacional para o Futebol Feminino. https://www.gov.br/esporte/pt-br/acoes-e-programas/futebol-feminino/docestrategianacionalfutebeolfemv5_15-08-202313.pdf

Carneiro, S. (2018). Sueli Carneiro. In H. B. Hollanda (Org.), Explosão Feminista: arte, cultura, política e universidade (pp. 453-460). Companhia das Letras.

Castellani, F. L. (1991). Educação física no Brasil: a história que não se conta. Papirus.

Chauí, M. (1985). Participando do debate sobre mulher e violência. In B. Franchetto, M. L. V. C. Cavalcanti & M. L. Heilborn (Eds.), Perspectivas antropológicas da mulher (pp. 25-47). Zahar Editores.

Darido, S. C. (2002). Futebol feminino no Brasil: do seu início à prática pedagógica. Motriz, Rio Claro, 8(2), 43-49.

Fernandes, T., & Santos, E. (2020). Ciberfeminismo e multiletramentos críticos na cibercultura. Educar em Revista, 36, e76124. https://doi.org/10.1590/0104-4060.76124

Flores, J. B., & Lima, R. V. M. (2021). Educação em tempos de pandemia: dificuldades e oportunidades para os professores de ciências e matemática da educação básica na rede pública do Rio Grande do Sul. Revista Insignare Scientia-RIS, 4(3), 94-109.

Frei, F., Rosa, J. S., & Biazi, Â. H. (2023). Professores de Matemática estão preparados para o ensino de Estatística e Probabilidade? Revista Internacional de Pesquisa em Educação Matemática, 13(2), 1-17. https://doi.org/10.37001/ripem.v13i2.3378

Gal, I. (2002). Adults’ statistical literacy: Meanings, components, responsibilities. International Statistical Review, 70(1), 1-25. https://doi.org/10.2307/1403713

Gil, A. C. (1994). Métodos e técnicas de pesquisa social. (4ª Edição). Atlas.

Goellner, S. V. (2021). Mulheres e futebol no Brasil: descontinuidades, resistências e resiliências. Movimento, 27, e27001. https://doi.org/10.22456/1982-8918.110157

Guterman, M. (2009). O futebol explica o Brasil: Uma história da maior expressão popular do país. Contexto.

Gutstein, E. (2012). Reflections on teaching and learning mathematics for social justice in urban schools. In A. A. Wager & D. W. Stinson (Eds.), Teaching Mathematics for Social Justice: Conversations with Mathematics Educators (pp. 63-78). NCTM, National Council of Mathematics Teachers.

Hargreaves, J. (2000). Heroines of sport: the politics of difference and identity. Routledge.

Heilborn, M. L., & Sorj, B. (1999). Estudos de gênero no Brasil. In S. Miceli (Org.), O que ler na ciência social brasileira (1970-1995) (pp. 183-221). Sumaré.

Hoppen, N. H. F., & Dalmaso-Junqueira, B. (2023). Retrato dos estudos feministas, de mulheres e de gênero no Brasil (1971-2019): a consolidação do campo científico, aprendizados e desafios. Encontros Bibli: Revista Eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da informação, 28, 1-37. https://doi.org/10.5007/1518-2924.2023.e92103

Magalhães, L. G. (2010). Histórias do futebol. Arquivo Público do Estado. http://www.arquivoestado.sp.gov.br/site/assets/publicacao/anexo/historias_do_futebol.pdf. Acesso em: 24 mar.2024.

Marques, T. C. N. (2019). O voto feminino no Brasil. (2ª Edição). Câmara dos Deputados, Edições Câmara.

O’Leary, Z. (2019). Como fazer seu projeto de pesquisa: guia prático. (Tradução de Ricardo A. Rosenbush). Vozes.

Rio de Janeiro. (2024). Lei nº 8.330, de 13 de maio de 2024. Cria campanha de combate à importunação sexual nos estádios de futebol e demais locais onde se realizam atividades desportivas no Município do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, RJ.

Roth, L. M. (2007). Women on Wall Street: despite diversity measures, Wall Street remains vulnerable to sex discrimination charges. Academy of Management Perspectives, 21(1), 24-35. https://doi.org/10.5465/amp.2007.24286162

Sabat, R. (2005). Imagens de gênero e produção da cultura. In S. B. Funck & N. Widholzer, Gênero em discursos da mídia (pp. 93-120). Mulheres.

Santos, E. A. (2011). Cibercultura e a educação em tempos de mobilidade e redes sociais: conversando com os cotidianos. In H. Fontoura & M. Silva (Orgs.), Práticas pedagógicas, linguagem e mídias: desafios à pós-graduação em educação em suas múltiplas dimensões (pp. 138-160). ANPEd Nacional.

Santos, E. (2019). Pesquisa-formação na Cibercultura. EDUFPI.

Santos, E. (2024). Prefácio. In M. M. Amaral, A Ciberpesquisa em Educação: autorias e inspirações teórico-metodológicas do Grupo de Pesquisa Docência e Cibercultura - GPDOC (pp. 16). Pedro & João Editores.

Skovsmose, O. (1996). Critical mathematics education: some philosophical remarks. In Anais do International Congress on Mathematics Education... Selected lectures (pp. 413-425). S. A. E. M.

Skovsmose, O. (2016). Critical Mathematics Education: Concerns, Notions, and Future. In P. Ernest, O. Skovsmose, J. P. van Bendegem, M. Bicudo, R. Miarka, L. Kvasz & R. Moeller, The Philosophy of Mathematics Education. Springer. https://link.springer.com/book/10.1007/978-3-319-40569-8

Soriano, M., & Santos, E. (2024). Diálogos acerca do desafio contínuo do combate ao racismo no esporte “do povo”: Educação Matemática Crítica em sala de aula. Educação Matemática Pesquisa, 26(1), 390-417. https://doi.org/10.23925/1983-3156.2024v26i1p390-417.

Soriano, M., & Vianna, M. (2023). A matemática presente no futebol brasileiro. Educação Matemática Sem Fronteiras: Pesquisas em Educação Matemática, 4(2), p. 113-132, 27 jan. 2023. https://periodicos.uffs.edu.br/index.php/EMSF/article/view/13134/8746

Steflitsch, D., & Kollosche, D. (2025). Students’ perceptions of Critical Mathematics Education: an exploration. Educ Stud Math. 120, 225-247. https://doi.org/10.1007/s10649-025-10423-y

Vergara, S. C. (2000). Projetos e relatórios de pesquisa em Administração. (2ª Edição). Atlas.

Tiburi, M. (2018). Feminismo em comum: para todas, todes e todos. (4ª Edição). Rosa dos Tempos.

Downloads

Publicado

2025-10-31