Desigualdade de Gênero, Futebol e Educação Matemática Crítica
Elas Dentro e Fora das Quatro Linhas
DOI:
https://doi.org/10.25749/sis.41389Palavras-chave:
desigualdade de gênero, educação matemática crítica, futebol feminino, machismo, ciberculturaResumo
No Brasil, a desigualdade de gênero, ocasionada entre outros fatores pelo machismo enraizado na sociedade brasileira, perpetua a violência e limita as oportunidades e direitos das mulheres. O objetivo geral desta pesquisa é analisar como a abordagem da Educação Matemática Crítica, aplicada ao ensino de conteúdos estatísticos, pode contribuir para a problematização da desigualdade de gênero no futebol feminino no Brasil, promovendo reflexões críticas entre estudantes do Ensino Básico. No que concerne à metodologia, temos uma Pesquisa-formação na Cibercultura, sendo proposta uma Sequência Didática interseccional com os cotidianos. As análises são baseadas no método de triangulação: (1) Análise documental; (2) Observação participante enquanto docente da escola (professora-pesquisadora); e (3) Discursos e registros dos alunos durante a experienciação das Sequências Didáticas. Entre as considerações possíveis, destacamos a necessidade de constituição de uma nova episteme que paute os currículos e os processos formativos, destacando ainda o papel crucial da educação na implementação/fortalecimento de uma educação antissexista. Durante as aulas, os alunos trouxeram reflexões que enriqueceram os debates, ampliando a conexão entre teoria e prática. Além disso, o conhecimento estatístico foi construído de maneira significativa.
Downloads
Referências
Alves, J. E. D., & Cavenaghi, M. S. (2013). Indicadores de desigualdade de gênero no Brasil. Mediações - Revista de Ciências Sociais, 18(1), 83-105. https://doi.org/10.5433/2176-6665.2013v18n1p83
Applebaum, M. (2025). Fostering creative and critical thinking through math games: A case study of Bachet’s game. European Journal of Science and Mathematics Education, 13(1), 16-26. https://doi.org/10.30935/scimath/15825
Araujo, J. da S., & Pinheiro, J. M. L. (2021). História da Matemática em sala de aula: um olhar histórico para uma das plêiades da matemática. Boletim Cearense de Educação e História da Matemática, 8(23), 565-578. https://doi.org/10.30938/bocehm.v8i23.5120
Barreira, J., Mazzei, L. C., Castro, F., & Galat-Ti, L. R. (2020). O futebol de mulheres: uma análise das estratégias de desenvolvimento (in) existentes na América do Sul. In M. Z. Martins & I. Wenetz (Eds.), Futebol de mulheres no Brasil: desafios para as políticas públicas (pp. 29-44). CRV.
Bartell, T. G. E. (2012). Is This Teaching Mathematics for Social Justice? In A. A. Wager & D. W. Stinson (Eds.), Teaching Mathematics for Social Justice: Conversations with Mathematics Educators (pp. 113-125). NCTM, National Council of Mathematics Teachers.
Beauvouir, S. (2016 [1949]). O Segundo Sexo: fatos e mitos. (Volume 1, 3ª Edição). (Tradução Sérgio Milliet). Nova Fronteira.
Brasil. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). (2018). Educação é a Base. Brasília, MEC/CONSED/UNDIME, 2018. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=8512 1-bncc-ensino-medio&category_slug=abril-2018-pdf&Itemid=30192
Brasil. Ministério da Educação. (1996). LDB. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei n. 9.394/96. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm
Brasil. Ministério da Educação. (2024). Lei n. 14.986, de 25 de setembro de 2024. Dispõe sobre a inclusão da obrigatoriedade de abordagens fundamentadas nas experiências e nas perspectivas femininas nos conteúdos curriculares do ensino fundamental e médio. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 25 set. 2024.
Brasil. Ministério do Esporte. Secretaria Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor. (2023a). Diagnóstico Futebol Feminino Brasil. https://www.gov.br/esporte/pt-br/noticias-e-conteudos/esporte/futebol-feminino-ainda-e-predominantemente-amador-no-brasil/11deagostoltimaversoDIAGNSTICO1.pdf
Brasil. Ministério do Esporte. Secretaria Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor. (2023b). Estratégia Nacional para o Futebol Feminino. https://www.gov.br/esporte/pt-br/acoes-e-programas/futebol-feminino/docestrategianacionalfutebeolfemv5_15-08-202313.pdf
Carneiro, S. (2018). Sueli Carneiro. In H. B. Hollanda (Org.), Explosão Feminista: arte, cultura, política e universidade (pp. 453-460). Companhia das Letras.
Castellani, F. L. (1991). Educação física no Brasil: a história que não se conta. Papirus.
Chauí, M. (1985). Participando do debate sobre mulher e violência. In B. Franchetto, M. L. V. C. Cavalcanti & M. L. Heilborn (Eds.), Perspectivas antropológicas da mulher (pp. 25-47). Zahar Editores.
Darido, S. C. (2002). Futebol feminino no Brasil: do seu início à prática pedagógica. Motriz, Rio Claro, 8(2), 43-49.
Fernandes, T., & Santos, E. (2020). Ciberfeminismo e multiletramentos críticos na cibercultura. Educar em Revista, 36, e76124. https://doi.org/10.1590/0104-4060.76124
Flores, J. B., & Lima, R. V. M. (2021). Educação em tempos de pandemia: dificuldades e oportunidades para os professores de ciências e matemática da educação básica na rede pública do Rio Grande do Sul. Revista Insignare Scientia-RIS, 4(3), 94-109.
Frei, F., Rosa, J. S., & Biazi, Â. H. (2023). Professores de Matemática estão preparados para o ensino de Estatística e Probabilidade? Revista Internacional de Pesquisa em Educação Matemática, 13(2), 1-17. https://doi.org/10.37001/ripem.v13i2.3378
Gal, I. (2002). Adults’ statistical literacy: Meanings, components, responsibilities. International Statistical Review, 70(1), 1-25. https://doi.org/10.2307/1403713
Gil, A. C. (1994). Métodos e técnicas de pesquisa social. (4ª Edição). Atlas.
Goellner, S. V. (2021). Mulheres e futebol no Brasil: descontinuidades, resistências e resiliências. Movimento, 27, e27001. https://doi.org/10.22456/1982-8918.110157
Guterman, M. (2009). O futebol explica o Brasil: Uma história da maior expressão popular do país. Contexto.
Gutstein, E. (2012). Reflections on teaching and learning mathematics for social justice in urban schools. In A. A. Wager & D. W. Stinson (Eds.), Teaching Mathematics for Social Justice: Conversations with Mathematics Educators (pp. 63-78). NCTM, National Council of Mathematics Teachers.
Hargreaves, J. (2000). Heroines of sport: the politics of difference and identity. Routledge.
Heilborn, M. L., & Sorj, B. (1999). Estudos de gênero no Brasil. In S. Miceli (Org.), O que ler na ciência social brasileira (1970-1995) (pp. 183-221). Sumaré.
Hoppen, N. H. F., & Dalmaso-Junqueira, B. (2023). Retrato dos estudos feministas, de mulheres e de gênero no Brasil (1971-2019): a consolidação do campo científico, aprendizados e desafios. Encontros Bibli: Revista Eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da informação, 28, 1-37. https://doi.org/10.5007/1518-2924.2023.e92103
Magalhães, L. G. (2010). Histórias do futebol. Arquivo Público do Estado. http://www.arquivoestado.sp.gov.br/site/assets/publicacao/anexo/historias_do_futebol.pdf. Acesso em: 24 mar.2024.
Marques, T. C. N. (2019). O voto feminino no Brasil. (2ª Edição). Câmara dos Deputados, Edições Câmara.
O’Leary, Z. (2019). Como fazer seu projeto de pesquisa: guia prático. (Tradução de Ricardo A. Rosenbush). Vozes.
Rio de Janeiro. (2024). Lei nº 8.330, de 13 de maio de 2024. Cria campanha de combate à importunação sexual nos estádios de futebol e demais locais onde se realizam atividades desportivas no Município do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, RJ.
Roth, L. M. (2007). Women on Wall Street: despite diversity measures, Wall Street remains vulnerable to sex discrimination charges. Academy of Management Perspectives, 21(1), 24-35. https://doi.org/10.5465/amp.2007.24286162
Sabat, R. (2005). Imagens de gênero e produção da cultura. In S. B. Funck & N. Widholzer, Gênero em discursos da mídia (pp. 93-120). Mulheres.
Santos, E. A. (2011). Cibercultura e a educação em tempos de mobilidade e redes sociais: conversando com os cotidianos. In H. Fontoura & M. Silva (Orgs.), Práticas pedagógicas, linguagem e mídias: desafios à pós-graduação em educação em suas múltiplas dimensões (pp. 138-160). ANPEd Nacional.
Santos, E. (2019). Pesquisa-formação na Cibercultura. EDUFPI.
Santos, E. (2024). Prefácio. In M. M. Amaral, A Ciberpesquisa em Educação: autorias e inspirações teórico-metodológicas do Grupo de Pesquisa Docência e Cibercultura - GPDOC (pp. 16). Pedro & João Editores.
Skovsmose, O. (1996). Critical mathematics education: some philosophical remarks. In Anais do International Congress on Mathematics Education... Selected lectures (pp. 413-425). S. A. E. M.
Skovsmose, O. (2016). Critical Mathematics Education: Concerns, Notions, and Future. In P. Ernest, O. Skovsmose, J. P. van Bendegem, M. Bicudo, R. Miarka, L. Kvasz & R. Moeller, The Philosophy of Mathematics Education. Springer. https://link.springer.com/book/10.1007/978-3-319-40569-8
Soriano, M., & Santos, E. (2024). Diálogos acerca do desafio contínuo do combate ao racismo no esporte “do povo”: Educação Matemática Crítica em sala de aula. Educação Matemática Pesquisa, 26(1), 390-417. https://doi.org/10.23925/1983-3156.2024v26i1p390-417.
Soriano, M., & Vianna, M. (2023). A matemática presente no futebol brasileiro. Educação Matemática Sem Fronteiras: Pesquisas em Educação Matemática, 4(2), p. 113-132, 27 jan. 2023. https://periodicos.uffs.edu.br/index.php/EMSF/article/view/13134/8746
Steflitsch, D., & Kollosche, D. (2025). Students’ perceptions of Critical Mathematics Education: an exploration. Educ Stud Math. 120, 225-247. https://doi.org/10.1007/s10649-025-10423-y
Vergara, S. C. (2000). Projetos e relatórios de pesquisa em Administração. (2ª Edição). Atlas.
Tiburi, M. (2018). Feminismo em comum: para todas, todes e todos. (4ª Edição). Rosa dos Tempos.
Downloads
Publicado
Edição
Secção
Licença
Direitos de Autor (c) 2025 Sisyphus – Revista de Educação

Este trabalho encontra-se publicado com a Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0.
O Copyright (c) pertence à Sisyphus – Journal of Education. No entanto, encorajamos que os artigos publicados na revista sejam publicados noutros lugares, desde que seja solicitada a autorização da Sisyphus e os autores integrem a nossa citação de fonte original e um link para o nosso site.
Política de auto-arquivo
É permitido aos autores o auto-arquivo da versão final publicada dos seus artigos em repositórios institucionais, temáticos ou páginas web pessoais e institucionais.
Subscritor DORA
O Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, editor da Sisyphus, é um dos subscritores da Declaração de São Francisco sobre Avaliação da Investigação (DORA).


