Relação entre as taxas de fecundidade e a necessidade não satisfeita de planeamento familiar nos países da Bacia do Nilo (1990–2023):
um estudo de geografia da população
DOI:
https://doi.org/10.18055/Finis43096Resumo
As elevadas taxas de fecundidade total (TFR) nos países da Bacia do Nilo continuam a representar um importante desafio demográfico e de saúde pública. Este estudo examina se uma TFR mais elevada está associada a uma maior necessidade não satisfeita de planeamento familiar em 11 países da Bacia do Nilo ao longo do período de 1990–2023. Foi realizada uma análise ecológica e comparativa entre países, utilizando dados agregados ao nível nacional durante o período em estudo, com base em fontes públicas do Banco Mundial, da Divisão de População das Nações Unidas e da base de dados Global Religious Futures. O estudo utilizou análise de correlação de Pearson e Análise de Componentes Principais (PCA) com rotação Varimax para avaliar a força e a estrutura subjacente destas relações. Foi encontrada uma correlação positiva forte e estatisticamente significativa entre a TFR e a necessidade não satisfeita de planeamento familiar na região (r = 0,93, p < 0,0001), com um coeficiente de determinação de r² = 0,86, indicando que as diferenças na necessidade não satisfeita podem contribuir para 86% da variação entre países na TFR em 2023. Esta associação foi particularmente evidente em países como Quénia, Ruanda, Etiópia, Eritreia, Egito e Uganda. A PCA revelou uma solução de três fatores que explica, em conjunto, 78,74% da variância total das variáveis analisadas; o primeiro fator, no qual a necessidade não satisfeita de planeamento familiar foi uma das variáveis com cargas significativas (λ = 0,59), representou 38,2% dessa variância total. Estes resultados sublinham a importância crítica de abordar a necessidade não satisfeita de planeamento familiar como estratégia central para a gestão do crescimento populacional na Bacia do Nilo. Intervenções direcionadas, especialmente em áreas rurais desfavorecidas, são essenciais para reduzir a TFR e promover a equidade em saúde reprodutiva em toda a região.
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