A balada do Mar Salgado. Viagem filmada por paisagens sem homens

  • Maria do Carmo Piçarra Carmo Piçarra Centro de Estudos Comunicação e Sociedade na Universidade do Minho
Palavras-chave: Cinema colonial, mapa imperial, nação, filme de viagens, propaganda

Resumo

Neste artigo procuro analisar porque é que o filme I cruzeiro de férias às colónias ocidentais, encomendado ao prestigiado fotógrafo de arte San Payo para registar o “primeiro cruzeiro de soberania” organizado pela Agência Geral das Colónias, foi projectado uma única vez durante o Estado Novo. Filme de viagens, um subgénero do cinema colonial de propaganda, é uma das primeiras obras de propaganda oficial com a qual se pretende projectar a ideia de que “Portugal não é um país pequeno”: (re)construir o país através de um novo mapa do império, portanto. Filme-sintoma de uma “cultura de mobilidade”, identificada por Jean Brunhes, quer atestar o domínio do espaço imperial através das novas tecnologias da comunicação. Inconsciente desse fenómeno, da aceleração, terá sido vítima da desintegração do olhar sobre o quotidiano das colónias? Ter-lhe-á faltado, para cumprir o desígnio de projectar a grandeza da nação, um movimento, mais íntimo, da contemplação para a compaixão (Orlando Ribeiro)?

Biografia do Autor

Maria do Carmo Piçarra Carmo Piçarra, Centro de Estudos Comunicação e Sociedade na Universidade do Minho

Maria do Carmo Piçarra é investigadora de Pós-Doutoramento no Centro de Estudos Comunicação e Sociedade na Universidade do Minho e no Centre for Film Aesthetics and Cultures, da Universidade de Reading. É investigadora integrada do CEC-FLUL - Universidade de Lisboa, professora externa convidada no ISCTE-IUL e editora da ANIKI – Revista Portuguesa da Imagem em Movimento. As suas publicações incidem sobre propaganda e censura ao cinema, cinema militante e cinema colonial. 

Publicado
2015-12-26
Secção
Artigos