Diversidade linguística e ensino de português

  • Isabel Aires de Matos

Abstract

Os fluxos migratórios conhecidos em toda a Europa central desde o fim da II Guerra Mundial apenas tiveram verdadeira expressão no território nacional na última década do século XX. Portugal foi até então sobretudo um país de emigração. 

Nos números oficiais – e sabemos que neste domínio, dada a natureza do fenómeno, os números não oficiais serão com grande probabilidade significativamente mais elevados – temos neste momento entre nós 450.000 imigrantes, provenientes de 170 países, que falam 230 línguas diferentes.

Esta nova situação – Portugal como país de imigração – praticamente desconhecida da sociedade portuguesa até à contemporaneidade veio alterar substancialmente a paisagem linguística e cultural das nossas cidades e em muitos casos também do mundo rural, mas não tem tido por parte dos responsáveis pela política linguística educativa uma resposta adequada.

Sendo Portugal um país de grande homogeneidade linguística (Boléo e Silva 1961: 85), não há praticamente tradição no nosso sistema educativo de ensino e aprendizagem de línguas minoritárias. 

References

· BOLÉO, M. Paiva & SILVA, M. H. Santos (1961). “Mapa dos dialectos e falares de Portugal Continental”. In Boletim de Filologia XX. Lisboa.

· CUMMINS, J. (1978). “Educational implications of mother tongue maintenance in minority-language groups”. In La Revue Canadienne des Langues Vivantes 34/3, 395-416.

· CUMMINS, J. & SWAIN, M. (1986). Bilingualism in Education: Aspects of theory, research and practice. London and New York: Longman.

· DEB (ed.) (1998). O ensino da Língua Portuguesa como 2ª Língua. Lisboa: Ministério da Educação.

· HAMERS, J. & BLANC, M. (1983). Bilingualité et bilinguisme. Bruxelles: Pierre Mardaga.

· HEILMAIR, H.-P. (1998). “Realidade sociolinguística de alunos cabo-verdianos em Portugal. Interferências do crioulo de Cabo Verde no Português”. In DEB (ed.). O ensino da Língua Portuguesa como 2ª Língua. Lisboa: Ministério da Educação.

· NAYSMITH, J. (2002). “A aula multicultural de língua: desafios aos conceitos de cultura e de língua”. In António Moniz (ed.). Professores de Línguas face à Mudança. Lisboa: Edinova.

· PEREIRA, D. (1998). “Desenvolvimento linguístico das minorias de origem crioula e formação de professores”. In DEB (ed.). O ensino da Língua Portuguesa como 2ª Língua. Lisboa: Ministério da Educação.

· PINTO, P. Feytor (1998). “O Projecto Trans. L2, Transversalidade da Língua Segunda”. In DEB (ed.) O ensino da Língua Portuguesa como 2ª Língua. Lisboa: Ministério da Educação.

· UNESCO (1953). The use of vernacular languages in education. Paris: Unesco.

Published
2016-02-11
Section
Articles