Atitudes do Enfermeiro Obstetra no cuidar casais com perda gestacional
DOI:
https://doi.org/10.29352/mill0217e.40386Palavras-chave:
enfermeiro obstetra; gravidez; luto; atitudeResumo
Introdução: A perda gestacional é um evento traumático que afeta muitos casais, que, em muitos casos, relatam a falta de apoio social e emocional, necessitando de suporte profissional, onde se destaca o Enfermeiro Obstetra.
Objetivo: Compreender as atitudes do Enfermeiro Obstetra no cuidar casais com perda gestacional.
Métodos: Estudo qualitativo, fenomenológico-hermenêutico, tendo por base os pressupostos de Max Van Manen, estudo com aprovação da Comissão de Ética. Com recurso ao tipo de amostra por conveniente, em bola de neve, obtiveram-se 14 Enfermeiros Obstetras com experiência na área, para entrevista semiestruturada. Os dados coligidos foram analisados fenomenologicamente, recorrendo ao software MAXQDA 24.
Resultados: A análise dos testemunhos permitiu desocultar as “Atitudes do Enfermeiro Obstetra no momento em que o casal recebe a notícia de perda gestacional”, onde se evidenciaram as seguintes subcategorias: “Apoiar incondicionalmente”, “Dar espaço”, “Dar tempo para o casal interiorizar a notícia”, “Utilizar o toque”, “Promover conforto”. Nenhum enfermeiro possui formação específica em cuidar casais com perda gestacional. Entre os que referiram possuir alguma formação, relataram “Conteúdos lecionados na especialidade”, “Participar em seminários”, “Possuir autoformação”, “Em serviço”, “Participação em Congressos, onde o tema surge”. De entre as emoções mais comuns vivenciadas, observou-se a frustração, a impotência, sentimentos de inadequação em conseguir gerir adequadamente nestas situações.
Conclusão: Necessidade emergente de melhorias no cuidar casais com perda gestacional a nível desenvolvimental do Enfermeiro Obstetra, ou seja, que lhes seja assegurada formação específica na área, para que possam cuidar casais com perda gestacional de forma mais efetiva e de acordo com as necessidades de cada casal.
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