Atitudes do Enfermeiro Obstetra no cuidar casais com perda gestacional

Autores

  • Adriana Ratola Instituto Politécnico de Viseu, Escola Superior de Saúde de Viseu, Viseu, Portugal | Unidade Local de Saúde da Região de Aveiro, Portugal https://orcid.org/0009-0008-2312-7262
  • Patrícia Martins Instituto Politécnico de Viseu, Escola Superior de Saúde de Viseu, Viseu, Portugal | Unidade Local de Saúde da Região de Aveiro, Portugal https://orcid.org/0009-0009-9310-5293
  • Emília Coutinho Instituto Politécnico de Viseu, Escola Superior de Saúde de Viseu, Viseu, Portugal | UICISA: E - Unidade de Investigação em Ciências da Saúde: Enfermagem, Viseu, Portugal | SIGMA – Phi Xi Chapter, Coimbra, Portugal https://orcid.org/0000-0002-9506-4626

DOI:

https://doi.org/10.29352/mill0217e.40386

Palavras-chave:

enfermeiro obstetra; gravidez; luto; atitude

Resumo

Introdução: A perda gestacional é um evento traumático que afeta muitos casais, que, em muitos casos, relatam a falta de apoio social e emocional, necessitando de suporte profissional, onde se destaca o Enfermeiro Obstetra.

Objetivo: Compreender as atitudes do Enfermeiro Obstetra no cuidar casais com perda gestacional.

Métodos: Estudo qualitativo, fenomenológico-hermenêutico, tendo por base os pressupostos de Max Van Manen, estudo com aprovação da Comissão de Ética. Com recurso ao tipo de amostra por conveniente, em bola de neve, obtiveram-se 14 Enfermeiros Obstetras com experiência na área, para entrevista semiestruturada. Os dados coligidos foram analisados fenomenologicamente, recorrendo ao software MAXQDA 24.

Resultados: A análise dos testemunhos permitiu desocultar as “Atitudes do Enfermeiro Obstetra no momento em que o casal recebe a notícia de perda gestacional”, onde se evidenciaram as seguintes subcategorias: “Apoiar incondicionalmente”, “Dar espaço”, “Dar tempo para o casal interiorizar a notícia”, “Utilizar o toque”, “Promover conforto”. Nenhum enfermeiro possui formação específica em cuidar casais com perda gestacional. Entre os que referiram possuir alguma formação, relataram “Conteúdos lecionados na especialidade”, “Participar em seminários”, “Possuir autoformação”, “Em serviço”, “Participação em Congressos, onde o tema surge”. De entre as emoções mais comuns vivenciadas, observou-se a frustração, a impotência, sentimentos de inadequação em conseguir gerir adequadamente nestas situações.

Conclusão: Necessidade emergente de melhorias no cuidar casais com perda gestacional a nível desenvolvimental do Enfermeiro Obstetra, ou seja, que lhes seja assegurada formação específica na área, para que possam cuidar casais com perda gestacional de forma mais efetiva e de acordo com as necessidades de cada casal.

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Publicado

2025-04-07

Como Citar

Ratola, A., Martins, P., & Coutinho, E. (2025). Atitudes do Enfermeiro Obstetra no cuidar casais com perda gestacional. Millenium - Journal of Education, Technologies, and Health, 2(17e), e40386. https://doi.org/10.29352/mill0217e.40386

Edição

Secção

Ciências da vida e da saúde