O efeito dos sons na gestão da dor aguda em doentes críticos: uma revisão sistemática
DOI:
https://doi.org/10.29352/mill0223e.44137Palavras-chave:
cuidados críticos; som; gestão da dor; dor aguda; cuidados de enfermagemResumo
Introdução: A dor é uma experiência frequente e complexa em doentes críticos. Abordagens não farmacológicas, como o uso terapêutico de sons, têm ganho de relevância como estratégias complementares de controlo da dor.
Objetivo: Analisar o efeito dos sons na gestão da dor aguda em doentes críticos, apoiando intervenções autónomas de enfermagem baseadas na evidência.
Métodos: Foi realizada uma revisão sistemática segundo a metodologia do Joanna Briggs Institute e de acordo com as normas PRISMA. A pesquisa incluiu MEDLINE Ultimate, CINAHL Complete, Scopus, Web of Science, e Cochrane.A pesquisa incluiu MEDLINE Ultimate, CINAHL Complete, Scopus, Web of Science e bases Cochrane. Foram considerados estudos primários com adultos em estado crítico, intervenções sonoras e desfechos relacionados com a dor. A seleção foi realizada de forma independente no Rayyan® e o risco de viés foi avaliado com ferramentas JBI.
Resultados: Treze estudos cumpriram os critérios de inclusão. Os achados indicam que sons terapêuticos incluindo música, sons da natureza e ausência controlada de som reduzem a dor percebida em doentes críticos. As intervenções aplicadas antes, durante ou após procedimentos dolorosos mostraram benefícios consistentes. Os sons podem ser utilizados isoladamente ou em conjunto com terapêutica farmacológica, devendo ser adaptados às necessidades de cada doente.
Conclusão: A terapia sonora personalizada é uma estratégia eficaz na gestão da dor e deve integrar a prática de enfermagem em cuidados críticos. São necessários mais estudos para avaliar a eficácia de diferentes tipos de sons e promover documentação padronizada segundo a terminologia do Conselho Internacional de Enfermeiros (ICN).
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