Procura de informação digital sobre saúde sexual, literacia digital e comportamentos de risco entre estudantes universitários Brasileiros
DOI:
https://doi.org/10.29352/mill0229.44627Palavras-chave:
redes sociais; saúde sexual; literacia digital em saúde; bem-estar mental; jovens adultosResumo
Introdução: As redes sociais são hoje uma fonte central de informação sobre saúde sexual e mental para jovens adultos, mas o impacto desta exposição nas suas práticas e no bem-estar permanece pouco claro. É necessário compreender de que forma a procura de informação sexual online, a literacia digital em saúde e o uso problemático das redes sociais se relacionam com o conhecimento, as atitudes e os comportamentos sexuais desta população.
Objetivo: Analisar como a exposição a conteúdos digitais relacionados com saúde sexual e mental influencia o conhecimento, atitudes e comportamentos de jovens adultos universitários.
Métodos: Realizou-se um estudo transversal online com 65 estudantes universitários brasileiros, com idades entre 18 e 30 anos. O questionário incluiu medidas de procura de informação sexual na internet e nas redes sociais, literacia digital em saúde (eHEALS), literacia em saúde mental (MHLq), uso problemático das redes sociais (SMDS), sintomas de depressão, ansiedade e stress (DASS-21) e comportamentos sexuais de risco. Os dados foram analisados com estatística descritiva, testes de associação (qui-quadrado, correlações) e modelos de regressão logística e linear multivariada, considerando variáveis sociodemográficas relevantes.
Resultados: Entre os participantes, a maioria referiu já ter procurado informação sobre sexo na internet, mas essa procura não se associou a menor probabilidade de comportamentos sexuais de risco. Também não se observaram associações significativas entre a procura de informação sexual online, a literacia digital em saúde ou a perceção de capacidade para avaliar a fiabilidade da informação e os comportamentos de risco. Em contraste, a idade mais elevada e a pertença a minorias sexuais estiveram associadas a maior probabilidade de pelo menos um comportamento sexual de risco. O uso problemático das redes sociais apresentou uma associação consistente com níveis mais elevados de sintomas de depressão, ansiedade e stress, sem relação clara com os comportamentos sexuais.
Conclusão: Os resultados sugerem que, nesta amostra de estudantes universitários brasileiros, a procura de informação sexual online e a perceção de maior literacia digital em saúde não se associam de forma clara a práticas sexuais mais seguras. Fatores sociodemográficos, como a idade e a pertença a minorias sexuais, mostraram-se mais relevantes para explicar os comportamentos de risco, enquanto o uso problemático das redes sociais se destacou como um importante marcador de maior sofrimento psicológico.
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