Cannabis sativa em Portugal: potencial de uma fileira de alto valor

Autores

  • Daniela Vasconcelos Teixeira Aguiar Costa Universidade Politécnica de Viseu, Viseu, Portugal | Centre for the Study of Natural Resources, Environment and Society (CERNAS), Viseu, Portugal https://orcid.org/0000-0002-7718-6072
  • Cristina Amaral Universidade Politécnica de Viseu, Viseu, Portugal | UCIBIO- Unidade de Ciências Biomoleculares Aplicadas, Porto, Portugal | Institute for Health and Bioeconomy - i4HB, Lisboa, Portugal | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (FFUP), Porto, Portugal https://orcid.org/0000-0003-1594-2095

DOI:

https://doi.org/10.29352/mill0224e.48592

Resumo

Durante décadas, a Cannabis sativa L. foi percecionada quase exclusivamente como uma planta associada ao consumo recreativo, devido à presença do delta-9-tetrahidrocanabinol (THC), o principal fitocanabinóide responsável pelos seus efeitos psicoativos da planta. Hoje, porém, a ciência, a medicina, a agricultura e a indústria revelam uma realidade muito mais ampla. Esta espécie vegetal apresenta um enorme potencial para aplicações farmacêuticas, alimentares, têxteis, biotecnológicas e ambientais, afirmando-se progressivamente como uma matéria-prima estratégica para a bioeconomia do século XXI.

Quando se fala em canábis, importa distinguir claramente dois universos distintos: a canábis medicinal e o cânhamo industrial. Embora pertençam à mesma espécie botânica, os seus modelos produtivos, enquadramentos legais e cadeias de valor são profundamente distintos. A canábis medicinal destina-se a fins terapêuticos e desenvolve-se sob um rigoroso enquadramento farmacêutico, supervisionado pelo Infarmed. O cultivo exige o cumprimento de normas internacionais de qualidade, como as diretrizes GACP (Good Agricultural and Collection Practices) e GMP (Good Manufacturing Practices), garantindo rastreabilidade, segurança e perfis fitoquímicos consistentes. Trata-se de uma atividade altamente tecnológica, frequentemente baseada em sistemas de Agricultura em Ambiente Controlado (Controlled Environment Agriculture). Já o cânhamo industrial utiliza variedades autorizadas com teor de THC inferior a 0,3%, cultivadas em campo aberto e orientadas para a produção de fibra, sementes e biomassa. O seu valor está ligado à construção sustentável, aos biomateriais, à alimentação funcional, aos bioplásticos, aos têxteis e a múltiplas aplicações ligadas à economia circular. Enquanto o sucesso da canábis medicinal depende da precisão química e da qualidade farmacêutica, o do cânhamo industrial mede-se pela eficiência produtiva e pela capacidade de valorização da biomassa em escala.

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Publicado

2026-09-03

Como Citar

Costa, D. V. T. A., & Amaral, C. (2026). Cannabis sativa em Portugal: potencial de uma fileira de alto valor. Millenium - Journal of Education, Technologies, and Health, 2(24e), e48592. https://doi.org/10.29352/mill0224e.48592

Edição

Secção

Editorial