Censura e revolução em Um auto para Jerusalém, de Mário Cesariny: escrita, edição e representação
DOI:
https://doi.org/10.51427/cet.sdc.2026.3.5.13Palavras-chave:
Censura, Revolução dos Cravos, PREC, Literatura Portuguesa, SurrealismoResumo
Um auto para Jerusalém é uma peça escrita por Mário Cesariny que narra a visita do menino Jesus aos doutores da Antiga Palestina. No episódio bíblico ficcionalizado pelo poeta e pintor surrealista português, o menino dirige-se aos sábios e intelectuais para denunciar os problemas do mundo e procurar convencê-los a agir, em lugar de serem meros observadores ou mesmo parte do problema. O seu relato é um relato da miséria, violência e repressão. Este texto para teatro, como o conto de Luiz Pacheco de que parte, é uma clara alegoria ao longo regime do Estado Novo. Tanto assim é que quer uma publicação quer outra foram alvo de censura. Como muitas outras peças de teatro, só depois do 25 de abril de 1974 pode o Auto conhecer o palco. Também só depois disso pode circular livremente em livro. As sucessivas reescritas e novas edições que Cesariny fez do texto (1964, 1976, 1991), assim como a sua levada à cena durante o PREC, permitem lançar um olhar prismático sobre a peça, nas suas versões antes, durante e depois da Revolução dos Cravos. Este artigo traça a história social do Auto e oferece uma análise, em particular, das duas primeiras versões publicadas e da primeira encenação de João d’Ávila programada para estrear no Teatro São Luiz no dia da intentona de 11 de março de 1975.
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