A descentralização na saúde
determinantes políticos, económicos e territoriais na adoção local em Portugal
DOI:
https://doi.org/10.18055/Finis41316Resumo
A descentralização das competências na saúde em Portugal foi implementada com o objetivo de aproximar a tomada de decisões das realidades locais e reforçar o papel dos municípios na promoção do bem-estar das populações. Um quadro regulamentar introduzido entre 2018-2019 permitiu a transferência de responsabilidades específicas da administração central para as autoridades locais. No entanto, até 2022, apenas cerca de um quarto dos municípios elegíveis tinha aceitado estas competências, o que evidencia a existência de obstáculos estruturais, políticos e financeiros à reforma. Embora os efeitos da descentralização no sistema de saúde tenham sido amplamente estudados, continuam a ser limitados os dados empíricos sobre os fatores que influenciam a vontade das autoridades locais de assumir novas responsabilidades. Para colmatar esta lacuna, o presente estudo analisa 201 municípios de Portugal Continental elegíveis durante o período de 2020-2022, modelando as decisões de aceitação com base em variáveis demográficas, políticas, financeiras e relacionadas com a saúde através de um modelo de regressão logístico binário. Os resultados revelam que a aceitação foi mais evidente em municípios politicamente alinhados com o governo central, com maiores recursos financeiros per capita e com perfis populacionais mais jovens. Além disso, a dinâmica regional emergiu como um importante fator contextual. Estes resultados sublinham a necessidade de os processos de descentralização terem em conta a diversidade territorial, a adequação do financiamento e o reforço das capacidades locais, a fim de assegurar uma implementação equitativa e eficaz.
Downloads
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Secção
Licença
Direitos de Autor (c) 2026 Finisterra

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0.
1. As opiniões expressas nos textos submetidos à Finisterra são da responsabilidade dos/as autores/as.
2. Os/As autores/as conservam os direitos de autor/a e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite a partilha do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
3. Os/As autores/as comprometem-se a seguir as “Normas para submissão de manuscritos”, na plataforma RCAAP.
4. Sempre que o texto precisar de sofrer alterações, por sugestão dos/as Revisores/as Científicos/as e/ou da Comissão Executiva, os/as autores/as comprometem-se a aceitar essas sugestões e a introduzi-las nas condições solicitadas. Sempre que houver alterações de que os/as autores/as discordem, devem ser apresentadas as respectivas justificações, caso a caso.
5. A reprodução de material sujeito a direitos de autor/a foi antecipadamente autorizada.
6. Os textos são originais, não publicados nem submetidos a outras revistas.