Agroindustrialização coletiva de alimentos no cerrado Goiano, Brasil:

dinâmicas produtivas em assentamentos da reforma agrária

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18055/Finis44567

Resumo

Em meio às contradições que marcam a reforma agrária brasileira, emergem experiências coletivas nos assentamentos de reforma agrária, ainda pouco visibilizadas. Este artigo analisa grupos produtivos voltados ao processamento de alimentos em assentamentos sob a jurisdição do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) em Goiás, buscando identificar o que produzem, como comercializam e de que maneira criam alternativas de geração de renda. A partir de uma investigação quantitativa-qualitativa, foram mapeados 36 grupos ativos em 34 assentamentos, de um total de 297. Estes 36 grupos desenvolvem atividades contínuas de processamento de alimentos para comercialização, sendo que 34 deles  (94%) aproveitam a matéria-prima produzida nos lotes. Dentre os alimentos processados, destacam-se: mel, panificados, doces artesanais e derivados da mandioca. Predominam canais informais de comercialização, mas os mercados institucionais, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) sustentam grupos mais estruturados. Fundamentadas na multifuncionalidade, cooperação e no vínculo com o território, essas experiências apontam para um relevante potencial de fortalecimento socioeconómico das famílias assentadas por meio do trabalho coletivo, mas ainda condicionado à melhoria da infraestrutura, ao suporte técnico contínuo e à estabilidade das políticas públicas.

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Biografias Autor

Janice Morais Oliveira, Universidade Federal de Goiás

Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade de São Paulo (2001), mestrado em Ciência Animal e Pastagens pela Universidade de São Paulo (2003) e Especialização em Agroecologia e Desenvolvimento Rural pela Universidade Federal de Goiás (2015). Tem experiência na área de Agronomia, com ênfase em Educação Ambiental, Produção de pequenos animais, Desenvolvimento de Assentamentos Rurais e Agroecologia. Servidora do INCRA/GO desde 2008 e atualmente cursando Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Agronegócio da UFG.

Fabiana Thomé da Cruz, Universidade Federal de Goiás

Possui graduação em Engenharia de Alimentos pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2005), mestrado em Agroecossistemas, pela Universidade Federal de Santa Catarina (2007), doutorado em Desenvolvimento Rural pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2012), tendo realizado estágio de doutoramento na Cardiff School of City and Regional Planning, Cardiff University (CPLAN, 2010-2011). Possui pós-doutorado em Desenvolvimento Rural pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atualmente é professora adjunta na Escola de Agronomia da Universidade Federal de Goiás (EA/UFG), professora no Programa de Pós-Graduação em Agronegócio (PPGAGRO/UFG) e professora colaboradora no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento (PGDR/UFRGS). É coordenadora do Grupo de Estudos, Pesquisas e Extensão em Agriculturas e Sistemas Sustentáveis (GEEPASS). Membro da Comissão Executiva da Rede de Pesquisadores de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional. Tem se dedicado a pesquisas relacionadas à agricultura familiar e ao desenvolvimento rural, especialmente no que diz respeito ao debate sobre qualidade dos alimentos tradicionais, agroindústrias familiares, inserção em mercados formais, segurança alimentar e nutricional e sistemas alimentares sustentáveis.

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Publicado

2026-07-23

Como Citar

Morais Oliveira, J., & Thomé da Cruz, F. (2026). Agroindustrialização coletiva de alimentos no cerrado Goiano, Brasil:: dinâmicas produtivas em assentamentos da reforma agrária. Finisterra, 61(131), e44567. https://doi.org/10.18055/Finis44567

Edição

Secção

Artigos de Investigação