Agroindustrialização coletiva de alimentos no cerrado Goiano, Brasil:
dinâmicas produtivas em assentamentos da reforma agrária
DOI:
https://doi.org/10.18055/Finis44567Resumo
Em meio às contradições que marcam a reforma agrária brasileira, emergem experiências coletivas nos assentamentos de reforma agrária, ainda pouco visibilizadas. Este artigo analisa grupos produtivos voltados ao processamento de alimentos em assentamentos sob a jurisdição do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) em Goiás, buscando identificar o que produzem, como comercializam e de que maneira criam alternativas de geração de renda. A partir de uma investigação quantitativa-qualitativa, foram mapeados 36 grupos ativos em 34 assentamentos, de um total de 297. Estes 36 grupos desenvolvem atividades contínuas de processamento de alimentos para comercialização, sendo que 34 deles (94%) aproveitam a matéria-prima produzida nos lotes. Dentre os alimentos processados, destacam-se: mel, panificados, doces artesanais e derivados da mandioca. Predominam canais informais de comercialização, mas os mercados institucionais, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) sustentam grupos mais estruturados. Fundamentadas na multifuncionalidade, cooperação e no vínculo com o território, essas experiências apontam para um relevante potencial de fortalecimento socioeconómico das famílias assentadas por meio do trabalho coletivo, mas ainda condicionado à melhoria da infraestrutura, ao suporte técnico contínuo e à estabilidade das políticas públicas.
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