Formação e-learning em competências de comunicação em estudantes de fisioterapia

estudo quasi-experimental

Autores

  • Leonor Almeida Santos Universidade Fernando Pessoa, Faculdade de Ciências da Saúde, Porto, Portugal | Instituto Politécnico do Porto, Escola Superior de Saúde, Clínica Pedagógica, Porto, Portugal. https://orcid.org/0000-0002-5695-3666
  • Rute Meneses Universidade Fernando Pessoa, Faculdade de Ciências Humanas e Sociais | Clínica Pedagógica, I3ID – Instituto de Investigação, Inovação e Desenvolvimento, Porto, Portugal https://orcid.org/0000-0002-7189-3139
  • Germano Couto Universidade Fernando Pessoa, Escola Superior de Saúde Fernando Pessoa | Faculdade de Ciências da Saúde, I3ID – Instituto de Investigação, Inovação e Desenvolvimento, Porto, Portugal |CINTESIS - Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, Porto, Portugal. https://orcid.org/0000-0002-5423-7375
  • Cristina Costa Santos Universidade do Porto, Faculdade de Medicina, Departamento de Medicina da Comunidade, Informação e Decisão em Saúde, Porto, Portugal | CINTESIS - Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, Porto, Portugal. https://orcid.org/0000-0002-7109-1101

DOI:

https://doi.org/10.29352/mill0210e.26913

Palavras-chave:

comunicação em saúde, fisioterapia, ensino superior, cuidado centrado no paciente, empatia

Resumo

Introdução: O processo terapêutico requer do fisioterapeuta competências para além das do domínio técnico. As competências de comunicação clínica/em saúde, comprovadamente em contínuo desenvolvimento desde a fase inicial de formação, determinam a importância do seu ensino pré-graduado.

Objetivo: Avaliar a eficácia de um programa de treino de competências de comunicação clínica/em saúde para alunos de fisioterapia.

Métodos: Estudo Quasi-experimental. Participaram 34 alunos de fisioterapia da Escola Superior de Saúde- Fernando Pessoa. Aplicação das escalas Índice de Reatividade Interpessoal (IRI) e Patient-Practioner Orientation Scale (PPOS) pré e pós intervenção; formação e-learning, estruturada em oito módulos em sessões assíncronas e síncronas, num total de 16 horas.

Resultados: Verificou-se um aumento estatisticamente significativo na componente Sharing da PPOS nas participantes do sexo feminino. Constatou-se uma diminuição no total do IRI, com aumento da empatia cognitiva e empatia afectiva, bem como um aumento no total da PPOS e em ambas as subescalas (Sharing e Caring), embora sem significância estatística. A utilização da plataforma Moodle® foi considerada “facilíssima” por 79% dos participantes e 50% considerou que o formato online facilitou “totalmente” a aprendizagem.

Conclusão: É premente a procura de alternativas que permitam evitar o decréscimo da comunicação empática. A dificuldade das componentes práticas, sugere que um modelo misto, em formato b-learning, poderá ser uma opção ao e-learning no ensino de competências de comunicação clínica/em saúde em estudantes de fisioterapia.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Agaronnik, N., Campbell, E. G., Ressalam, J., & Iezzoni, L. I. (2019). Communicating with Patients with Disability: Perspectives of Practicing Physicians. Journal of General Internal Medicine, 34(7), 1139–1145. https://doi.org/10.1007/s11606-019-04911-0

Allen, M. V., & Roberts, L. C. (2017) Perceived acquisition, development, and delivery of empathy in musculoskeletal physiotherapy encounters. Journal of Communication in Healthcare, 10(4), 304–312. https://doi.org/10.1080/17538068.2017.1366000

Associação Portuguesa de Fisioterapeutas, (Rev.). (2020, setembro 8). O Perfil de Competências do Fisioterapeuta. Lisboa: Conselho Diretivo Nacional da Associação Portuguesa de Fisioterapeutas. Acedido em http://www.apfisio.pt/wp-content/uploads/2020/09/APFisio_Perfil_Compet_Fisio_rev2020.pdf

Bas-Sarmiento, P., Fernández-Gutiérrez, M., Díaz-Rodríguez, M., & iCARE Team (2019). Teaching empathy to nursing students: A randomised controlled trial. Nurse Education Today, 80, 40–51. https://doi.org/10.1016/j.nedt.2019.06.002

Baylor, C., & Darling-White, M. (2020). Achieving participation-focused intervention through shared decision making: Proposal of an age- and disorder-generic framework. American Journal of Speech-Language Pathology, 29(3), 1335–1360. https://doi.org/10.1044/2020_AJSLP-19-00043

Bylund, C. L., Brown, R., Gueguen, J. A., Diamond, C., Bianculli, J., & Kissane, D. W. (2010). The implementation and assessment of a comprehensive communication skills training curriculum for oncologists. Psycho-Oncology, 19(6), 583–593. https://doi.org/10.1002/pon.1585

Camargo, C. P., Tempski, P. Z., Busnardo, F. F., Martins, M. A., & Gemperli, R. (2020). Online learning and COVID-19: a meta-synthesis analysis. Clinics, 75, e2286. https://doi.org/10.6061/clinics/2020/e2286

Carragher, M., Steel, G., O'Halloran, R., Torabi, T., Johnson, H., Taylor, N. F., & Rose, M. (2021). Aphasia disrupts usual care: the stroke team's perceptions of delivering healthcare to patients with aphasia. Disability and rehabilitation, 43(21), 3003–3014. https://doi.org/10.1080/09638288.2020.1722264

Dong, T., LaRochelle, J. S., Durning, S. J., Saguil, A., Swygert, K., & Artino, A. R., Jr (2015). Longitudinal effects of medical students' communication skills on future performance. Military medicine, 180(4 Suppl), 24–30. https://doi.org/10.7205/MILMED-D-14-00565

European Network of Physiotherapy in Higher Education. (2017). Level of education, roles and competences – ENPHE Recommendations. http://www.enphe.org/wp-content/uploads/2019/10/ESCO_report_ENPHE_recommendations_April_2017.pdf

Euzébio, C., Soares, D., & Soares, T. (2021). Reflexão crítica sobre estudos quasi-experimentais. In, A. Moreira; P. Sá, & A. P. Costa (Orgs.), Reflexões em torno de metodologias de investigação: métodos (pp. 81–92). Aveiro: UA Editora. http://dx.doi.org/10.34624/hmtj-qg49

Ferreira, D., & Maclean, G. (2018). Andragogy in the 21st century: Applying the assumptions of adult learning online. Language Research Bulletin, 32, 11–19. https://www.researchgate.net/publication/323388304

Grilo, A. M., Santos Rita, J., Carolino, E. T., Gomes, A. I., & dos Santos, M. C. (2018). Centração no paciente: Contributo para o estudo de adaptação da patient-practitioner orientation scale (PPOS). Psychology, Community & Health, 6(1), 170–185, https://doi.org/10.5964/pch.v6i1.148

Hardman, D., & Howick, J. (2019). The friendly relationship between therapeutic empathy and person-centered care. European Journal for Person Centered Healthcare, 7(2), 351–357. https://doi.org/10.5750/ejpch.v7i2.1689

Headly A. (2007). Communication skills: a call for teaching to the test. The American Journal of Medicine, 120(10), 912–915. https://doi.org/10.1016/j.amjmed.2007.06.024

Jeffrey D. (2016). Clarifying empathy: the first step to more humane clinical care. The British Journal of General Practice, 66(643), e143–e145. https://doi.org/10.3399/bjgp16X683761

Limpo, T., Alves, R. A., Castro, S. L. (2010). Medir a empatia: adaptação portuguesa do Índice de Reactividade Interpessoal. Laboratório de Psicologia, 8(2), 171–184. https://doi.org/10.14417/lp.640

McCabe, E., Roberts, M. R., Miciak, M., Sun, H. L., & Gross, D. P. (2021). An investigation of the measurement properties of the physiotherapy therapeutic relationship measure in patients with musculoskeletal conditions. European Journal of Physiotherapy. https://doi.org/10.1080/21679169.2021.2005138

Miciak, M., Mayan, M., Brown, C., Joyce, A. S., & Gross, D. P. (2019). A framework for establishing connections in physiotherapy practice. Physiotherapy Theory and Practice, 35(1), 40–56. https://doi.org/10.1080/09593985.2018.1434707

Morera-Balaguer, J., Botella-Rico, J. M., Martínez-González, M. C., Medina-Mirapeix, F., & Rodríguez-Nogueira, Ó. (2018). Physical therapists’ perceptions and experiences about barriers and facilitators of therapeutic patient-centred relationships during outpatient rehabilitation: a qualitative study. Brazilian Journal of Physical Therapy, 22(6), 484–492. https://doi.org/10.1016/j.bjpt.2018.04.003

Morgado, P., Lemos, A. R., Almeida, S., Cerqueira, J. J., & Sousa, N. (2019). A structured remediation program for communication skills. International Journal of Medical Education, 10, 161–162. https://doi.org/10.5116/ijme.5d5a.72c3

Ødegaard, N. B., Myrhaug, H. T., Dahl-Michelsen, T., & Røe, Y. (2021). Digital learning designs in physiotherapy education: a systematic review and meta-analysis. BMC Medical Education, 21(1), 48. https://doi.org/10.1186/s12909-020-02483-w

Oliveira, T., & Morgado, L. (2020). Impacto da dinâmica emocional na aprendizagem em cursos a distância no ensino superior: O papel da presença emocional e das microlideranças. Revista Portuguesa de Educação, 33(2), 177–199. https://doi.org/10.21814/rpe.14331

Ordem dos Fisioterapeutas. (2021). Referencial da formação inicial para a inscrição na ordem dos fisioterapeutas. https://ordemdosfisioterapeutas.pt/wp-content/uploads/2021/04/ReferencialdaFormacaoInicial.pdf

Pattison, S., Gutwill, J., Auster, R., & Cannady, M. (2019). Experimental and Quasi-experimental designs in visitor studies: A critical reflection on three projects. Visitor Studies, 22(1), 43–66. https://doi.org/10.1080/10645578.2019.1605235

Pitikoe, S., Ilongo, F. N., & Mavimbela, H. (2021). Sinking or swimming?: The role of Moodle in promoting self-directed learning at the University of Eswatini. In C. Bosch, D. Laubscher, & L. Kyei-Blankson (Eds.), Re-Envisioning and restructuring blended learning for underprivileged communities (pp. 204-224). IGI Global. https://doi.org/10.4018/978-1-7998-6940-5.ch011

Queirós, S., Santos, L. A., Couto, G., Meneses, R. F. (2021, julho 9–10). As competências de comunicação dos fisioterapeutas na intervenção com indivíduos com afasia: estudo Delphi. Poster. III Congresso Nacional de Comunicação Clínica em Cuidados de Saúde (online), Covilhã, Portugal. https://www.researchgate.net/publication/358140220_As_competencias_de_comunicacao_dos_fisioterapeutas_na_intervencao_com_individuos_com_afasia

Roling, G., Lutz, G., Edelhäuser, F., Hofmann, M., Valk-Draad, M. P., Wack, C., Haramati, A., Tauschel, D., & Scheffer, C. (2020). Empathy, well-being and stressful experiences in the clinical learning environment. Patient Education and Counseling, 103(11), 2320–2327. https://doi.org/10.1016/j.pec.2020.04.025

Røe, Y., Ødegaard, N. B., & Dahl-Michelsen, T. (2019). Flipping the classroom in physiotherapy education: experiences, opportunities and challenges. Nordic Journal of Digital Literacy, 13(4), 24–37. https://doi.org/10.18261/issn.1891-943x-2018-04-03

Santos, L. A., Queirós, S. M., Meneses, R. F., & Couto, G. (2020). Competências de comunicação clínica do fisioterapeuta: revisão integrativa da literatura. In Pereira, H., Monteiro, S., Esgalhado, G., Cunha, A., Leal, I. (Eds.), Actas do 13º Congresso Nacional de Psicologia da Saúde (pp. 213–220). Lisboa: Instituto Superior de Psicologia Aplicada. https://repositorio.ispa.pt/bitstream/10400.12/7366/4/13CongNacSaude.pdf

Santos, L. A., Queirós, S., Couto, G., & Meneses, R. F. (2021, novembro 5–6). e-Delphi: painel de peritos na identificação das competências centrais de comunicação clínica em fisioterapia Poster. XI Congresso Nacional de Fisioterapeutas (online), Lisboa, Portugal. https://www.cnft.pt/pt/eposters/181--edelphi-painel-de-peritos-na-identificacao-das-competencias-centrais-de-comunicacao-clinica-em-fisioterapia

Sequeira, C. (2016). Comunicação clínica e relação de ajuda. Lisboa: Lidel.

Silva, L. D., Ribeiro, M. M. F., Nogueira, A. I., Reis, B. S., Barbosa, I. L., Rocha, A. M. C., & Diniz, L. M. (2017). Impacto da “disciplina relação médico-paciente” sobre atitudes centradas no paciente. Revista Brasileira de Educação Médica, 41(2), 283–289. https://doi.org/10.1590/1981-52712015v41n2RB20160094

Sociedade Portuguesa de Comunicação Clínica em Cuidados de Saúde - SP3CS. (2021). Carta de princípios para o ensino/aprendizagem de competências de comunicação clínica em cuidados de saúde. https://sp3cs.org/

Soundy, A., Hemmings, L., Gardiner, L., Rosewilliam, S., Heneghan, N. R., Cronin, K., & Reid, K. (2021). E-learning communication skills training for physiotherapy students: a two phased sequential mixed methods study. Patient Education and Counseling, 104(8), 2045–2053. https://doi.org/10.1016/j.pec.2021.01.022

Tan, L., Le, M. K., Yu, C. C., Liaw, S. Y., Tierney, T., Ho, Y. Y., Lim, E., Lim, D., Ng, R., Ngeow, C., & Low, J. (2021). Defining clinical empathy: a grounded theory approach from the perspective of healthcare workers and patients in a multicultural setting. BMJ Open, 11(9), e045224. https://doi.org/10.1136/bmjopen-2020-045224

Taveira-Gomes, I., Mota Cardoso, R., & Figueiredo Braga, M. (2016). Communication skills in medical students - An exploratory study before and after clerkships. Porto Biomedical Journal, 1(5), 173–180. https://doi.org/10.1016/j.pbj.2016.08.002

Teixeira, J. A. C. (2004). Comunicação em saúde: Relação técnicos de saúde - utentes. Análise psicológica, 22(3), 615-620. https://repositorio.ispa.pt/bitstream/10400.12/229/1/AP%2022%283%29%20615-620.pdf

Unge, J., Lundh, P., Gummesson, C., & Amnér, G. (2018). Learning spaces for health sciences – what is the role of e-learning in physiotherapy and occupational therapy education? A literature review. Physical Therapy Review, 23(1), 50–60. https://doi.org/10.1080/10833196.2018.1447423

World Physiotherapy. (2020). Immediate impact on students and the response to delivering physiotherapist entry level education. https://world.physio/sites/default/files/2021-06/COVID-19-Briefing-paper-1-HEI-FINAL-2021.pdf

World Confederation for Physical Therapy, European Region. (2018). Expected minimum competencies for an entry level physiotherapist in the European Region. https://www.erwcpt.eu/file/251

Downloads

Publicado

2022-07-29

Como Citar

Almeida Santos, L., Meneses, R., Couto, G., & Costa Santos, C. (2022). Formação e-learning em competências de comunicação em estudantes de fisioterapia: estudo quasi-experimental . Millenium - Journal of Education, Technologies, and Health, 2(10e), 111–121. https://doi.org/10.29352/mill0210e.26913

Edição

Secção

Ciências da vida e da saúde