Avaliação da disposição a pagar dos visitantes para mitigar impactos recreativos em ecossistemas lacustres: um estudo comparativo entre Portugal e o Nepal
DOI:
https://doi.org/10.29352/mill0219e.41052Palavras-chave:
disposição a pagar; impactos recreativos; método de avaliação contingente; valoração ambiental; turismo sustentávelResumo
Introdução: A crescente procura por atividades recreativas em áreas naturais resulta frequentemente na degradação ambiental, comprometendo a sustentabilidade desses ecossistemas. Compreender a disposição a pagar (DaP) dos visitantes com o intuito de mitigar esses impactos é fundamental para apoiar a gestão sustentável destes espaços
Objetivo: Este artigo compara a DaP dos visitantes para mitigar o impacto das atividades recreativas nas Praias da Albufeira do Azibo (Portugal) e no Complexo Lacustre de Ghodaghodi (Nepal).
Métodos: Foi realizado um inquérito presencial de natureza quantitativa nas Praias da Albufeira do Azibo (Portugal), com 573 respostas validadas (95,5%). Recorreu-se ao Método de Avaliação Contingente para estimar a DaP relativamente a bens públicos de uso e de não uso.
Resultados: Os inquiridos demonstraram uma DaP ligeiramente superior para a preservação ambiental (bens públicos de não uso), em comparação com infraestruturas e serviços (bens públicos de uso). A estimativa anual da DaP pelas Praias da Albufeira do Azibo revela uma valorização significativamente mais elevada — cerca de 3,4 vezes — do que a verificada no estudo comparativo realizado no Nepal.
Conclusão: Os resultados sublinham a importância de atribuir valor económico aos recursos naturais para melhorar decisões de política e de gestão. Contudo, a dependência exclusiva de inquéritos e as diferenças contextuais entre os locais constituem limitações. Estudos futuros devem integrar metodologias mais abrangentes e amostras mais representativas.
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