Documentação em cuidados paliativos: exigências normativas e realidade dos registos de enfermagem
DOI:
https://doi.org/10.29352/mill0228.43350Palavras-chave:
cuidados paliativos; registros de enfermagem; cuidados de enfermagem; terminologia padronizada em enfermagemResumo
Introdução: A documentação em enfermagem representa um desafio complexo para a enfermagem, especialmente na articulação entre classificações padronizadas e a abordagem da complexidade humana. Porém, reveste-se de extrema importância, pois, através destes, é possível garantir a continuidade e a qualidade dos cuidados, especialmente em cuidados paliativos.
Objetivo: Analisar a documentação em enfermagem no contexto dos cuidados paliativos, identificando correspondências nas diversas classificações. Identificar os dados mais frequentes na prática e as principais limitações da documentação dos cuidados de enfermagem.
Método: Estudo qualitativo com recurso à técnica de focus group para a recolha de dados junto de uma amostra de enfermeiros considerados peritos em contexto de cuidados paliativos.
Resultados: Os dados indicaram que fenómenos clínicos e funcionais, como dor, fadiga, náusea e risco de queda, têm representação consistente nas classificações utilizadas. Mas, as dimensões psicoemocionais, sociais, espirituais e existenciais apresentaram representações fragilizadas ou ausentes. Destacou-se a necessidade de articular terminologias padronizadas com narrativas livres para assegurar a cientificidade, comparabilidade, humanização e integralidade do cuidado.
Conclusão: A documentação em enfermagem para cuidados paliativos deve ser entendida como um instrumento clínico, ético e comunicacional fundamental. O estudo reforça a necessidade de metodologias mistas em investigações futuras, ampliando contextos e amostras, e destaca a importância da integração entre registos classificados e narrativos para melhorar a comunicação interprofissional, a segurança clínica e a experiência do paciente e dos familiares.
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