Preditores da Progressão da Miopia em Crianças com Lentes de Controlo da Miopia
DOI:
https://doi.org/10.48560/rspo.43704Palavras-chave:
Acuidade Visual, Criança, Miopia, Óculos, Refração OcularResumo
INTRODUÇÃO: A prevalência de miopia tem aumentado de forma acentuada em todo o mundo, sendo que a deteção e a intervenção precoces são essenciais para prevenir as suas complicações associadas. Lentes oftálmicas como as DIMS, HALT e CARE reduzem o alongamento axial ao modificar o desfoque periférico. No entanto, a influência do astigmatismo corneano (AC) na resposta ao tratamento permanece pouco compreendida. Este estudo avaliou a influência dos parâmetros queratométricos e biométricos na progressão da miopia em crianças tratadas com lentes de controlo da miopia.
MÉTODOS: Foi realizado um estudo observacional retrospetivo que incluiu 38 olhos de 19 crianças (5-18 anos), a quem foram prescritas lentes de controlo da miopia. Foram recolhidos dados basais e de seguimento (6-12 meses). Os parâmetros biométricos e queratométricos foram obtidos com o biómetro ótico ARGOS®. A progressão da miopia foi definida segundo o sistema Age-Matched Myopia Control (AMMC), que ajusta o crescimento do comprimento axial (AL) à idade e ao sexo. As variações foram anualizadas para considerar a duração do seguimento. Foi utilizado o teste de Mann-Whitney U para comparação entre grupos e análises de regressão logística.
RESULTADOS: A progressão ocorreu em 24 olhos (63,2%), enquanto 14 (36,8%) permaneceram estáveis. Os olhos com progressão pertenciam a crianças mais jovens (10,5 vs 12 anos, p=0,037). Os olhos sem progressão apresentaram valores mais elevados de AC basal (1,53 vs 0,75 D, p=0,006) e de profundidade da câmara vítrea (17,52 vs 16,79 mm, p=0,046). Não houve alterações na orientação do eixo (p=0,500). Na análise multivariada ajustada à idade, um AC basal inferior foi um preditor independente de progressão (p=0,024; OR = 0,22; IC 95% [0,06-0,82]).
CONCLUSÃO: Um menor astigmatismo corneano basal associou-se, de forma independente, a uma maior progressão da miopia, mesmo com o uso de lentes de controlo da miopia. Por outro lado, valores mais elevados de AC parecem exercer um efeito protetor, possivelmente por reduzirem o desfoque periférico hipermetrópico. A inclusão de parâmetros queratométricos na avaliação da miopia pode melhorar a estratificação do risco e apoiar estratégias de gestão mais individualizadas.
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