Mutilação genital feminina: experiências de mulheres migrantes e implicações para a enfermagem
DOI:
https://doi.org/10.29352/mill0223e.43284Palavras-chave:
mutilação genital feminina; práticas tradicionais nefastas; saúde da mulher; direitos humanos; enfermagem transculturalResumo
Introdução: A Mutilação Genital Feminina (MGF) é uma prática tradicional nefasta reconhecida como grave violação dos direitos humanos, com implicações físicas, psicológicas, sexuais e sociais. Estima-se que mais de 200 milhões de mulheres tenham sido submetidas a MGF, sendo esta perpetuada em nome da tradição, da preservação da honra e do controlo da sexualidade feminina.
Objetivo: Compreender as vivências de mulheres migrantes submetidas a MGF, identificando os impactos multidimensionais e refletindo sobre as implicações para a prática de enfermagem.
Métodos: Estudo qualitativo de natureza fenomenológica, desenvolvido segundo a perspetiva de Max van Manen, no âmbito do projeto Intercultural Approach to Prevent Harmful Practices (IAPHP). Foram realizadas entrevistas fenomenológicas a sete mulheres migrantes oriundas de países com elevada prevalência de MGF. A análise seguiu um processo de identificação de temas e categorias emergentes.
Resultados: Emergiram três eixos principais: (i) motivações socioculturais e religiosas para a prática, associadas à aceitação comunitária e preservação da honra; (ii) consequências físicas (complicações genito-urinárias e obstétricas), psicológicas (ansiedade, depressão, stress pós-traumático) e sexuais (dispareunia, diminuição da libido, dificuldades relacionais); (iii) perceção negativa da prática e estratégias de resistência das mulheres, que expressam desejo de mudança e maior proteção para as gerações futuras.
Conclusão: A MGF reflete desigualdades de género estruturais e compromete a saúde integral das mulheres. Os enfermeiros têm um papel central na prevenção, identificação e acompanhamento, promovendo cuidados culturalmente competentes, sensibilização comunitária e defesa dos direitos humanos. O empoderamento feminino e a educação para a saúde surgem como estratégias essenciais para a erradicação desta prática.
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